Ontem jantei uma dessas sopas instantâneas ralas que vêm em um envelope individual. O sabor era “Milho com Croutons Crocantes”. Além de muito difícil de pronunciar, seria impossível de se acreditar.
Abri o envelope enquanto fervia a água e confirmei: pó, nada mais que pó. Despejei na caneca, só pó. Da água já fervida, coloquei um dedinho apenas para dissolver melhor a mistura. Mingau homogêneo, nada aparentava ser sólido ali dentro.
Coloquei o restante da água e fui mexendo até encher a caneca. Fui pra sala “beber” a sopa assintindo à TV para não prestar atenção à inconsistência da refeição.
Krec, krec, krec. Alguma coisa dura estralando entre meus dentes. Olhei com mais cuidado para o caldo e... Croutons! Sim, eles estavam lá! E eram crocantes!
Mas como pode ser crocante um crouton que era pó e foi misturado vigorosamente à água fervente? Eram no máximo 3 ou 4, mas ainda assim!
“Do Pó vieste e ao Pó voltarás”, me lembrei.
É isso, só pode ser a sopa de Deus, então.
19.8.05
Spam criativo do dia
“Meu Deus, se errarmos, faz–nos querer mudar; se tivermos razão, dá–nos força para vivermos com isso. (Reverendo Peter Marshall)”
Produto: o mesmo de ontem, curso para passar em concurso.
Produto: o mesmo de ontem, curso para passar em concurso.
18.8.05
Medo
Tem alguma coisa atrás da porta / virando a esquina / dentro do armário / embaixo da cama, eu sei que tem!
Mais um spam criativo
“O melhor livro de moral é a nossa consciência. Temos que consultá–lo muito freqüentemente.”
Produto: cursos para ser aprovado em concursos públicos.
Produto: cursos para ser aprovado em concursos públicos.
17.8.05
Ah, esse pessoal criativo...
“A moda é uma tirana, a quem os sábios ridicularizam e obedecem.”
“Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa.”
Títulos de spams que recebi hoje no meu e–mail do trabalho anunciando cursos de inglês.
Meu hotmail então, coitado, parece um depositário de receitas para aumentar pênises e prolongar orgásmosus.
“Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa.”
Títulos de spams que recebi hoje no meu e–mail do trabalho anunciando cursos de inglês.
Meu hotmail então, coitado, parece um depositário de receitas para aumentar pênises e prolongar orgásmosus.
Tudo tem seu preço na vida
Comi uma das coisas mais gostosas ever hoje. É uma sobremesa montada assim:
1 cookie como base, já devidamente cortadinho mas não ainda separado;
1 bola de sorvete de creme;
cobertura geral de ganache de chocolate.
Estava tão bom que devorei como se não tivesse acabado de almoçar. Sem pensar, sem medir.
O problema,
É que acho que tinha nozes.
1 cookie como base, já devidamente cortadinho mas não ainda separado;
1 bola de sorvete de creme;
cobertura geral de ganache de chocolate.
Estava tão bom que devorei como se não tivesse acabado de almoçar. Sem pensar, sem medir.
O problema,
É que acho que tinha nozes.
16.8.05
11.8.05
A casa
A inspiração
Era uma casa muito ajeitada,
não tinha brigas, tinha risadas.
Só se podia cantar ali,
porque a dona sonhava (eu vi).
(by Enio Martins)
O resultado
É uma casa há pouco alugada
Não sobra tempo para arrumá–la
Não tem varanda, mas você viu
Que ali ao lado estava o rio
Lá não tem prato, não tem panela
Comida só pelo tele–entrega
Se está cansado senta no chão
Sofá e cadeira não tem lá não
Se na janela não tem cortina
Não se consegue barrar o dia
Guardar as roupas também não dá
Deixa na mala pra não sujar
Se esfria muito, dormimos juntos
E se esquenta a gente agüenta
Colecionamos só bons momentos
Janela aberta, dia de vento
Mas uma coisa nunca faltava...
Uma saudade muito apertada!
Era uma casa muito ajeitada,
não tinha brigas, tinha risadas.
Só se podia cantar ali,
porque a dona sonhava (eu vi).
(by Enio Martins)
O resultado
É uma casa há pouco alugada
Não sobra tempo para arrumá–la
Não tem varanda, mas você viu
Que ali ao lado estava o rio
Lá não tem prato, não tem panela
Comida só pelo tele–entrega
Se está cansado senta no chão
Sofá e cadeira não tem lá não
Se na janela não tem cortina
Não se consegue barrar o dia
Guardar as roupas também não dá
Deixa na mala pra não sujar
Se esfria muito, dormimos juntos
E se esquenta a gente agüenta
Colecionamos só bons momentos
Janela aberta, dia de vento
Mas uma coisa nunca faltava...
Uma saudade muito apertada!
5.8.05
Uma pirueta, duas piruetas
Só para dar uma amostra do que se passa, estou trabalhando com um nariz de palhaço como forma de protesto.
3.8.05
27.7.05
A bênção, Cony
Sempre considerei a tristeza a mais bonita das paixões. Praticamente toda arte de que mais gosto foi feita sob essa inspiração.
E não acho que por ter me sido roubada recentemente minha opinião deve mudar. Afinal,
“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba não”
nas palavras de Vinicius. Por isso, se às vezes o cardíaco se aperta, sem motivo ou com motivo, não luto contra. Sentir é lento, valorizo todo e qualquer movimento. Quero sentir a tristeza também, quando ela vier.
Caiu de uma das caixas da minha mudança um recorte de jornal que tenho há tempos. É um texto do Cony, triste, triste, do qual sempre me lembro e queria voltar a encontrar. Pois ele pousou em meus pés, do nada, em um dia esquisito.
E como “esquisito” é um negócio muito sem forma pra mim, se puder moldá–lo em tristeza bonita, fico pelo menos mais satisfeita.
Vejam que beleza:
“Aqui no Rio, as estações do ano são meio abagunçadas — é uma das tradições da cidade, tendemos à bagunça e nada demais que a própria natureza saia do sério tão logo ultrapassa as margens do Meriti, uma de nossas divisas mais emblemáticas. Daí que neste final de inverno vivemos um outono gostoso, com temperatura amena e as folhas douradas de nossas amendoeiras atapetando jardins e calçadas.
Depois do almoço, gosto de caminhar no imenso jardim do aterro. Não escandalizo ninguém com a minha solidão e me sinto bem pisando nessas folhas cor de ouro velho que amaciam meus passos. Outro dia, vi uma cena que me trouxe meditação e melancolia.
Há um mendigo que anda com uma carrocinha e, dentro dela, cinco ou seis vira–latas que ele conseguiu tirar daquela outra carrocinha que leva cães ao sacrifício. Os seis — mendigo e cinco vira–latas — repartem o mesmo chão e teto do barraco móvel e a mesma comida que os restaurantes jogam fora.
Vi o mendigo se afastar para ir buscar o almoço em algum lugar e fiquei observando os cachorros. Os cinco permaneceram na calçada, olhando fixamente o horizonte que havia tragado o amigo.
Os cães são assim: quando o dono se afasta, eles se imobilizam diante do horizonte. Não entendem muito por que o amigo sumiu, mas esperam. Sabem que ele deverá voltar — e nem a comida importa, importa que o dono volte.
As crianças também são assim. Detestam quando a mãe some do horizonte delas — um horizonte curto, do tamanho de um quarto, de uma casa. E também esperam, sabem que ela voltará.
Pior mesmo são os amantes. Também eles, quando a mulher amada some do horizonte, se imobilizam e esperam. O mundo pode vir abaixo, o Sol desabar, eles esperam. Olham fixamente o horizonte que a trará de volta. A diferença é que os donos e as mães geralmente voltam.”
Carlos Heitor Cony

Conheci o Cony na Academia Brasileira de Letras, no Rio. Como podem ver, ele me transformou numa estátua de cera.
E não acho que por ter me sido roubada recentemente minha opinião deve mudar. Afinal,
“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba não”
nas palavras de Vinicius. Por isso, se às vezes o cardíaco se aperta, sem motivo ou com motivo, não luto contra. Sentir é lento, valorizo todo e qualquer movimento. Quero sentir a tristeza também, quando ela vier.
Caiu de uma das caixas da minha mudança um recorte de jornal que tenho há tempos. É um texto do Cony, triste, triste, do qual sempre me lembro e queria voltar a encontrar. Pois ele pousou em meus pés, do nada, em um dia esquisito.
E como “esquisito” é um negócio muito sem forma pra mim, se puder moldá–lo em tristeza bonita, fico pelo menos mais satisfeita.
Vejam que beleza:
“Aqui no Rio, as estações do ano são meio abagunçadas — é uma das tradições da cidade, tendemos à bagunça e nada demais que a própria natureza saia do sério tão logo ultrapassa as margens do Meriti, uma de nossas divisas mais emblemáticas. Daí que neste final de inverno vivemos um outono gostoso, com temperatura amena e as folhas douradas de nossas amendoeiras atapetando jardins e calçadas.
Depois do almoço, gosto de caminhar no imenso jardim do aterro. Não escandalizo ninguém com a minha solidão e me sinto bem pisando nessas folhas cor de ouro velho que amaciam meus passos. Outro dia, vi uma cena que me trouxe meditação e melancolia.
Há um mendigo que anda com uma carrocinha e, dentro dela, cinco ou seis vira–latas que ele conseguiu tirar daquela outra carrocinha que leva cães ao sacrifício. Os seis — mendigo e cinco vira–latas — repartem o mesmo chão e teto do barraco móvel e a mesma comida que os restaurantes jogam fora.
Vi o mendigo se afastar para ir buscar o almoço em algum lugar e fiquei observando os cachorros. Os cinco permaneceram na calçada, olhando fixamente o horizonte que havia tragado o amigo.
Os cães são assim: quando o dono se afasta, eles se imobilizam diante do horizonte. Não entendem muito por que o amigo sumiu, mas esperam. Sabem que ele deverá voltar — e nem a comida importa, importa que o dono volte.
As crianças também são assim. Detestam quando a mãe some do horizonte delas — um horizonte curto, do tamanho de um quarto, de uma casa. E também esperam, sabem que ela voltará.
Pior mesmo são os amantes. Também eles, quando a mulher amada some do horizonte, se imobilizam e esperam. O mundo pode vir abaixo, o Sol desabar, eles esperam. Olham fixamente o horizonte que a trará de volta. A diferença é que os donos e as mães geralmente voltam.”
Carlos Heitor Cony
Conheci o Cony na Academia Brasileira de Letras, no Rio. Como podem ver, ele me transformou numa estátua de cera.
22.7.05
Pessoal da Firma
Alessandra, minha dupla importada de Livramento, especialista em florzinhas de lã e fã número 1 da Brazoo.
Elenise, conhecida como "a mulher completa". Além de designer, ela canta, dança, sapateia e faz maquiagem como ninguém.
Fe, gente boa pra caramba, membro honorário da turma da indiferença e dona do celular mais ativo da criação.
Monstro. Designer durante o dia, responsável pelo terror e pânico que habitam as ruas porto–alegrenses durante a noite.
20.7.05
Briefing: carta para contemplados que não embarcam na viagem
Opção 1
Há um ditado que diz que “vergonha é roubar e não poder carregar”.
Pior que isso, só trabalhar como uma mula o ano inteiro, conseguir finalmente chegar entre os primeiros e na hora de ganhar o prêmio... nada. Você resolve não embarcar. Vai ficar em casa mesmo, deixar para a próxima.
Conta pra gente, vai. A namorada não liberou o passeio ou é você quem tem medo de avião? Tá preocupado de perder a correntinha dourada num arrastão?
Seu trouxa! Você está assinando seu atestado de idiota!
E se o pessoal estiver rindo pelos cantos, pode saber que é de você mesmo.
Tsc, tsc, tsc.
Opção 2
Você trabalhou duro o ano inteiro, dedicou-se e alcançou seu lugar entre os primeiros. Infelizmente, não vai poder acompanhar seus colegas na comemoração desse sucesso.
Sua ausência no evento será sentida por todos nós, que gostaríamos de prestar as devidas homenagens ao ótimo trabalho que você realizou.
Estamos certos de que no próximo ano teremos a oportunidade de cumprimentá-lo e premiá-lo novamente, já que você demonstrou ser capaz de vencer todos os desafios do caminho.
Saiba que, apesar de não viajar conosco, sua presença não será esquecida. Afinal, seu lugar é aqui. Seu lugar é entre os melhores!
Há um ditado que diz que “vergonha é roubar e não poder carregar”.
Pior que isso, só trabalhar como uma mula o ano inteiro, conseguir finalmente chegar entre os primeiros e na hora de ganhar o prêmio... nada. Você resolve não embarcar. Vai ficar em casa mesmo, deixar para a próxima.
Conta pra gente, vai. A namorada não liberou o passeio ou é você quem tem medo de avião? Tá preocupado de perder a correntinha dourada num arrastão?
Seu trouxa! Você está assinando seu atestado de idiota!
E se o pessoal estiver rindo pelos cantos, pode saber que é de você mesmo.
Tsc, tsc, tsc.
Opção 2
Você trabalhou duro o ano inteiro, dedicou-se e alcançou seu lugar entre os primeiros. Infelizmente, não vai poder acompanhar seus colegas na comemoração desse sucesso.
Sua ausência no evento será sentida por todos nós, que gostaríamos de prestar as devidas homenagens ao ótimo trabalho que você realizou.
Estamos certos de que no próximo ano teremos a oportunidade de cumprimentá-lo e premiá-lo novamente, já que você demonstrou ser capaz de vencer todos os desafios do caminho.
Saiba que, apesar de não viajar conosco, sua presença não será esquecida. Afinal, seu lugar é aqui. Seu lugar é entre os melhores!
19.7.05
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